Uvas Botritizadas: entenda sobre o assunto

de Wine em Casa em January 26, 2022

Vinhos Botritizados: talvez esse termo seja novidade para você. Estes vinhos são elaborados a partir de uvas atacadas pelo fungo Botrytis cinerea, mas se engana quem pensa que todos os fungos que atacam vinhedos são pragas. Este fungo, na realidade, não apenas é uma espécie benéfica para os vinhedos, como também é responsável pela produção de vinhos excelentes. Interessante, não é mesmo? Vamos conhecer um pouco mais sobre estes fungos e os vinhos produzidos a partir das uvas atacadas por eles.

Botrytis cinerea é um fungo responsável pela conhecida “podridão nobre”, pois este ataque resulta em vinhos de qualidade excelente, dignos de nobreza. O fungo necessita de características climáticas ideais para seu desenvolvimento: é preciso um clima de noites úmidas e dias ensolarados e secos. Essa especificidade necessária no clima resulta em uma grande dificuldade para obter os resultados desejados, como se pode imaginar.

Atualmente, a região produtora de vinhos botritizados mais famosos é a de Sauternes, na França, mas foi em Tokaji-Hegyalja, na Hungria, onde os primeiros vinhos botritizados foram elaborados. Estes vinhos também costumam ter um preço elevado, pois o fungo acaba fazendo com que a quantidade de uvas necessária para produzir uma garrafa seja muito maior, além de necessitar de mão-de-obra mais intensa para selecionar as uvas. Estima-se que para produzir uma garrafa de vinho botritizado de 375 ml sejam necessárias cerca de 5 mil uvas, sendo que para uma garrafa de vinho comum de 750 ml são utilizadas em média 300 uvas. Para entender essa diferença, vamos entender o modo de ação do fungo.

Estes fungos se formam como um pó acinzentado e atuam causando micro furos nas uvas, fazendo com que a água presente na polpa do fruto evapore (por isso a aparência “rugosa”), quando isso ocorre, as características que garantem o aroma e sabor do vinho (como ácidos, açucares e demais substâncias) sejam concentradas no fruto. A colheita tardia, manual e de bago a bago, para selecionar somente os cachos mais afetados e com o cuidado de não misturar os saudáveis, demanda de um trabalho maior, mas resulta em um vinho harmônico entre acidez e doçura, com aromas e sabores concentrados, além das características únicas que o fungo e sua ação nas uvas também proporciona ao aroma.  

Por todas as necessidades específicas para desenvolvimento de Botrytis cinerea, poucas são as regiões no mundo que obtém o clima ideal para produção dos nobres vinhos botritizados. Atualmente, a França, Hungria e Alemanha são os principais países onde são produzidos estes vinhos, com rótulos como Châteu d’Yquem (Sauternes, França) e Tokaj (Tokaj, Hungria) que são, atualmente, os botritizados mais famosos e nobres. Apesar disso, também se encontram produções a partir de uvas botritizadas em regiões como Califórnia, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

Apesar da raridade e dificuldade em obter um destes vinhos, caso tenha oportunidade, vale a pena experimentar um vinho botritizado.